Jacarta. Trinta milhões de habitantes na área metropolitana, uma densidade urbana que dá tonturas só de olhar para ela no mapa 🗺️, engarrafamentos que se tornaram uma atração local por si só e, desde 2013, o maior evento de corrida da Indonésia 🏃: a Jakarta International Marathon, também conhecida como JAKIM entre os habitués.
Algumas palavras de contexto, porque Jacarta está a atravessar um período um pouco especial. A cidade continua oficialmente a ser a capital da Indonésia, mas está em processo de entregar esse título à cidade novinha em folha de Nusantara, construída do zero na ilha de Bornéu 🏗️. Uma mudança de capital em curso, discretamente, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Jacarta não se importa muito: continua a ser, para além de qualquer debate, o coração económico, cultural e desportivo do país, com ou sem o título oficial. E continua a acolher a sua maratona, que é o que importa 😄. Construída numa planície costeira a poucos metros acima do nível do mar, atravessada por milhões de pessoas todos os dias, Jacarta é também atravessada todos os anos, em junho, por milhares de corredores que partem no escuro sob um calor tropical que não dá tréguas a ninguém 🌡️. Isto é o JAKIM.
A história começa em 2013, com uma ambição claramente assumida: posicionar Jacarta como um destino de turismo desportivo de nível mundial e, talvez um dia, entrar para o clube dos World Marathon Majors. A primeira edição envia de imediato um sinal forte: 10.000 corredores na linha de partida, o queniano William Chebor a vencer em 2:14:30 e a IAAF a certificar o percurso como Grau A logo nesse primeiro ano 🥇. A AIMS segue o exemplo logo a seguir. Jacarta está oficialmente no mapa da cena global das maratonas 🌍.
O crescimento é rápido, como tudo o que acontece em Jacarta 😄. Já em 2015, a participação sobe para 15.000 corredores de 53 países. A prova muda de nome consoante os patrocinadores, mas a atmosfera não muda: música ao vivo e danças tradicionais em vários pontos do percurso 🎶, porque na Indonésia até uma maratona às 4 da manhã parece uma celebração nacional. Nos últimos anos, o JAKIM tem contado com o governo provincial de Jacarta e com a PASI (a Federação Indonésia de Atletismo), com um prémio monetário total de 3 mil milhões de rupias indonésias 💰 (cerca de €148.000). E, para garantir que não fazem as coisas pela metade, há um bónus absolutamente único no mundo: uma casa oferecida ao corredor indonésio que bater o recorde nacional da maratona 🏠. Isso mesmo, não é um erro. Uma casa. Por um recorde. Nada mau, hein 😅.
O percurso começa no Monumento Nacional, o Monas 🗼, este obelisco de 132 metros coroado por uma chama dourada, símbolo da independência indonésia, rodeado por um vasto parque central que serve de pulmão verde no meio do caos urbano 🌳. A partir daí, os corredores atravessam as grandes avenidas e os bairros históricos da capital: Kota Tua, a antiga cidade colonial holandesa com edifícios do século XVII e a Praça Fatahillah 🏛️, Pasar Baru, o velho mercado 🍅, a Catedral de Jacarta e, exatamente em frente, do outro lado do boulevard, a Mesquita Istiqlal, a maior mesquita do Sudeste Asiático 🕌. Os dois monumentos religiosos encaram-se há décadas, separados por apenas algumas dezenas de metros, e os corredores passam entre eles — alguns até aproveitam para refletir sobre isso. O percurso termina no Gelora Bung Karno (GBK), o grande complexo desportivo histórico construído para os Jogos Asiáticos de 1962, cujo estádio principal tem capacidade para 77.000 pessoas 🏟️. Cruzar a meta numa arena destas ao amanhecer é uma imagem que fica 🌅.
O perfil do percurso é bastante rápido: 115 metros de desnível positivo total, certificado pela IAAF. Talvez não chegue para um recorde, mas chega para se divertir sem grandes problemas 👿. Jacarta assenta numa planície costeira; o percurso não tenta inventar dificuldades. Isso seria quase tranquilizador se o principal adversário não estivesse no ar, e não nas pernas 😮💨. Junho corresponde à estação seca (ou seja, a melhor janela do ano se não quiser acabar encharcado até aos ossos ☔️), mas as temperaturas ainda variam entre 25 e 33°C, com uma humidade que teima em não descer abaixo dos 75%. É precisamente por isso que a partida está marcada para as 4:00 da manhã ⏰. Não por romantismo noturno, não por gosto pelo sofrimento, mas porque correr 42 quilómetros de asfalto tropical sob o sol de Jacarta em pleno seria simplesmente perigoso. O recorde masculino do percurso pertence ao queniano Geoffrey Birgen, que correu 2:14:23 na edição de 2019, depois de já ter vencido em 2015 — claramente muito à vontade no asfalto de Jacarta 👑. Do lado feminino, é a queniana Sheila Chesang quem detém o recorde com 2:33:54, estabelecido em 2024 🏅. O Quénia tem dominado a lista de vencedores de forma muito convincente desde o início 🇰🇪.
A maratona (42,195 km) e a meia maratona (21 km) começam no Monas no domingo de manhã. Os 10 km e os 5 km começam no complexo GBK no sábado 🏟️. Para as crianças, as Maratoonz são organizadas em paralelo ao evento 👦. Todos os percursos são certificados pela AIMS e pela IAAF, com uma categoria nacional para cidadãos indonésios e uma categoria aberta para participantes estrangeiros a partir dos 17 anos.
Correr a Jakarta International Marathon é correr pelo meio de uma cidade com uma identidade absolutamente única ✨. Um emaranhado de bairros coloniais holandeses, centros comerciais gigantes 🛍️, mesquitas, templos, comida de rua sempre presente 🍜, e uma energia humana difícil de encontrar noutro lugar. Às 4 da manhã, enquanto os primeiros chamamentos para a oração ecoam das mesquitas dos bairros e a cidade está apenas a começar a acordar 🥱, as ruas de Jacarta pertencem aos corredores. E que presente! 🙌
A plataforma de nova geração que permite a todos os corredores de qualquer nível, (re)descobrir o território francês e todo o seu património, ao encontrar as corridas que mais se lhes adequam.