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Publicado no dia qua., 29 de julho de 2026 por Finishers

Aprender a voar com as próprias asas: a história da Hoka

Começando do zero, os dois fundadores da HOKA conseguiram criar um império no mundo do running. A marca da Savoie hoje faz parte das marcas mais prestigiosas do trail e da corrida em estrada. Conhecida pelas suas solas XXL, a linha de calçado nem sempre teve um percurso fácil para se integrar ao mercado. Um retorno à história de sucesso de dois colaboradores que acreditaram até o fim, apesar dos fracassos.

Já sabemos: todas as belas histórias começam por um acaso, um fracasso, um encontro…🤝 Aliás, é bem possível que já tenhas lido a fabulosa história da ASICS no nosso blog Finishers (se não, convidamos-te a fazê-lo AGORA MESMO 👿). A marca que vais descobrir hoje foi inventada por dois franceses desempregados e hoje reúne milhares de corredores pelo mundo 🌍. Prepara-te, porque este relato começa nas trilhas de um vulcão siciliano, passa por uma descida atribulada no UTMB e acaba nos pés de Ludovic Pommeret 🐐. 

Quando falamos de sapatilhas de corrida HOKA, provavelmente pensas nas solas enormas, não é❓Bingo, acertamos! 🔔 Essa marca de sapatilhas XXL, que às vezes dá o que falar, revolucionou completamente o mundo do trail e do running 🏃. Vem descobrir a fantástica história da HOKA.

Antes da HOKA: quando o trail ainda procurava o seu lugar

Era uma vez, no ano 2000, três apaixonados por trail, Jean-Luc Diard, Nicolas Mermoud e Christophe Aubonnet, que partiram juntos fazer um raid de 250 km na Sicília 🇮🇹. Durante essa prova, desceram a grande velocidade as encostas do Etna (o vulcão ativo mais alto da Europa, com cerca de 3.300 metros de altitude 🤓). O terreno vulcânico oferece aos atletas um solo macio, instável, criando uma sensação que nunca mais esqueceriam : a impressão de voar 🦅. Essa experiência ficou gravada nas suas memórias, e aí nasceu uma ideia que viria mudar o mundo da corrida 🌾.

Antes de irmos ao que interessa (sabemos que estás curioso, mas um pouco de paciência 🧘), vale a pena entender o contexto ✋. No início dos anos 2000, o trail ainda estava longe de ser o desporto tão popular que conhecemos hoje 📆. A marca Salomon dominava o mercado, mas, a falta de uma verdadeira inovação começava a ameaçar o seu crescimento 🥴. Depois da compra da Salomon pela Adidas, o ambiente tornou-se mais tenso. O diretor abandona o barco e nomeia Jean-Luc Diard como CEO 🧑‍💼 (um conselho : nome). Ele aposta no trail running, desenvolve esta categoria na Salomon… e a aposta revela-se um sucesso 😍. 

Alguns anos depois, do outro lado da Savoie, aos pés de Chamonix, no UTMB de 2007, uma descida viria dar origem a uma ideia 💡. O futuro cofundador da HOKA, Nicolas Mermoud, desaba depois de ter liderado grande parte da corrida 🤯. Na altura, não existiam sapatilhas que permitissem descer rápido, com intensidade e em segurança. Faltava qualquer coisa 👀. Nicolas apercebe-se que o mercado do running não oferecia nenhum modelo com uma sola de grande espessura capaz de proporcionar um bom amortecimento ↕️.

Mas, em junho de 2008, o mundo do running foi abalado pelo lançamento de um livro que se tornou referência : Born To Run 📕. Escrito por Christopher McDougall 🇺🇸, a obra analisa o desempenho e a resistência de uma tribo no México com capacidades de endurance fora do comum 💨. O jornalista exalta nos seus textos o minimalismo, a passada natural e sapatilhas quase impercetíveis 🪶. Só que, do outro lado, Jean-Luc Diard (CEO da Salomon naquele momento) não fica convencido 🤨. Os departamentos de Produção e Desenvolvimento da marca são claros: este tipo de sapatilhas aumenta o risco de lesão, sobretudo nos corredores iniciantes 🐥. O dilema é total: seguir a tendência ou confiar na própria intuição? 🤜🤛

Como se isso não bastasse, a 30 de agosto de 2008, acontece algo extraordinário em Chamonix que viria a mudar o mundo do trail 😲. Um verdadeiro fenómeno chamado Kilian Jornet vence o UTMB em 20h56 e 59 segundos 👽. O seu desempenho reforça a tendência do minimalismo e coloca as solas XXL sob pressão, já que o atleta catalão corre com um par de sapatilhas com cravos e um simples cinto de hidratação à cintura (praticamente como tu quando vais correr 5 km 🧐). As marcas entram em pânico, reduzem o amortecimento e tornam as solas mais finas 🤏. 

O nascimento da HOKA 🐣

Em 2008, a crise económica cria um contexto complicado 💸. Jean-Luc Diard deixa o cargo 💼. Nicolas Mermoud também fica desempregado. Durante um passeio pelas montanhas de Annecy, os dois amigos dão forma a uma ideia: e se conseguíssemos dar aos corredores a sensção de voar, tal como sentimos no Etna em 2007 ? 🌋 O momento não podia ser pior. A crise económica mundial faz-se sentir, o mercado está completamente rendido ao minimalismo… 🐞 E eles aparecem com umas sapatilhas maximalistas 🐘. Decidem concentrar-se exclusivamente no calçado e desenvolvem uma entressola de grandes dimensões, concebida para criar a ligação perfeita entre o pé e o terreno 🪨. Estável na subida, ultrassegura na descida, e com uma espessura de 6 cm 📏. Eles batizam o protótipo de HOKA ONE ONE, que significa “voar sobre a terra” em maori (é daí que vem o pássaro escolhido como logótipo… É isso mesmo ! ☝️). 

Como deves imaginar, acertar à primeira seria bom de mais 🎯. Nas primeiras apresentações, a receção foi um balde de água fria 🥶. Muitos compararam o modelo ao calçado ortopédico. Afinal, correr com umas sapatilhas que pareciam sair do armário da avó não era a imagem futurista que procuravam...👵 Mas, às vezes, basta um único momento para mudar tudo — um pequeno empurrão do destino, sabes ? 🦋

Obrigado, « Ludo »! 😮‍💨

Para entender o resto da história, viajamos até à Ilha da Reunião, onde se disputa a Diagonale des Fous de 2010 🦜. Um certo Ludovic Pommeret, então com 35 anos, atravessa um momento difícil ao quilómetro 70 🥵. Segue na 12ª posiçãoe está prestes a desistir. Num impulso, troca de sapatilhas e calça um protótipo da HOKA. Apesar do cansaço extremo, Pommeret começa a ultrapassar os adversários um após outro e termina a prova num impressionante segundo lugar 🥈. A história espalha-se rapidamente pela imprensa como uma verdadeira bomba 💣. Toda a gente quer saber que sapatilhas o « Ludo » levava calçadas para conseguir uma recuperação tão espetacular 📸. E foi assim que a HOKA nasceu aos olhos do mundo.

Nicolas Mermoud percebe de imediato o potencial e desenvolve rapidamente o mercado americano 💰. O sucesso é fulminante 📈. Alguns anos depois, a marca é comprada pela Deckers Outdoor Corporation, uma fabricante norte-americana especializada em calçado. Em 2016, os Estados Unidos já representam dois terços das vendas e a HOKA produz quase dois milhões de pares por ano 👟. No mesmo ano, a Team Trail HOKA vence o UTMB masculino e feminino com Ludovic Pommeret e Caroline Chaverot 🇫🇷. Pode dizer-se que o círculo ficou completo, não achas ? 🔄

Do trail ao asfalto, dos 10 km ao ultra, a HOKA conseguiu cumprir a sua promessa : oferecer conforto, segurança e performance sem abrir mão do prazer de correr 🤤. Hoje, a marca é uma das grandes referências do mundo do running, e colabora com grandes atletas como Jim Walmsley, que, entre outros feitos, percorreu 100 milhas em 6h09'26 no projeto "Carbon X2", organizado pela HOKA. É impossível não citar os atletas de trail como Sylvain Cachard, Manon Bohard, e claro Ludovic Pommeret (ainda bem 😂). A moral da história é que, se Nicolas Mermoud tivesse vencido o UTMB em 2007 e se Jean-Luc Diard não tivesse deixado o cargo, talvez a HOKA nunca tivesse existido. Como vês, por vezes é preciso saber perder, para mais tarde, poder ganhar 🏆.

Pssst, só para terminar com uma curiosidade : Nicolas Mermoud teve a sua pequena desforra e terminou a MCC 2025 (38 km, 2 322 mD+) em 5h47’46" ⏳.

Esperamos que tenhas a HOKA-sião de experimentar a marca — descolagem garantida! 🛫

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