Enquanto a Europa treme de frio, aqui corres de calções ao pé do Etna. Templos gregos, mercados barulhentos e cannoli em cada esquina: a maior ilha do Mediterrâneo é única no seu género🌋
A Sicília é esse triângulo pousado sob a bota. É a maior ilha do Mediterrâneo e, sobretudo, um cruzamento por onde toda a gente passou: Gregos, Romanos, Árabes, Normandos, Espanhóis — cada um deixou a sua marca na pedra e no prato. Palermo faz de capital barulhenta, entre mercados ao ar livre e mosaicos árabo-normandos. Catânia constrói os seus palácios em pedra de lava negra, ao pé do vulcão que a cobriu várias vezes. Siracusa foi outrora mais poderosa do que Atenas, e o seu teatro grego ainda é utilizado. Ragusa e Agrigento guardam, uma o barroco, a outra os seus templos. E Messina vigia o estreito que a separa do continente 🇮🇹.
Impossível falar do terreno sem começar por ele: o Etna. O maior vulcão ativo da Europa domina todo o leste da ilha do alto dos seus 3 300 metros, expele regularmente as suas fumarolas e corre-se por trilhos de areia negra com o mar lá em baixo 🌋. O resto da ilha também não é plano: as Madonie e os Nebrodi erguem maciços florestais a norte, os Montes Sícani fecham o interior, e as colinas sucedem-se entre os campos de trigo que já davam o seu grão a Roma. À volta, a costa muda de rosto a cada vinte quilómetros: enseadas turquesa de San Vito Lo Capo, salinas de Marsala, falésias perto de Ragusa. Sem esquecer as pequenas ilhas ao largo — Égadas, Pantelleria — onde se corre mesmo sobre pedras no meio da água.
Grande vantagem: aqui, a estação quente é o inverno dos outros. Enquanto o norte da Europa congela, a Sicília oferece manhãs amenas que permitem correr de manga curta em janeiro. É por isso que os grandes maratonas se concentram entre outubro e abril, quando o calor do verão afrouxa o seu aperto. No verão, ele bate forte: quarenta graus à sombra no interior e um vento do Saara, o siroco, que por vezes traz areia até aos passeios ☀️. Já os trails em altitude aproveitam as encostas do Etna e os maciços do norte para respirar mesmo em junho. E nas alturas do vulcão, neva no inverno: pode-se esquiar de manhã e ver o mar à tarde, uma combinação rara.
O calendário de corridas na Sicília vive de mudança de ares. O Maratona de Palermo atravessa a capital em novembro, entre o Teatro Massimo e a catedral, e a sua Meia Maratona Internacional dá início à época em outubro. A Maratona de Catânia corre-se sob o vulcão em dezembro, a de Ragusa e a Baroque Race passam entre as fachadas classificadas da cidade em janeiro. Junta a Maratona de Marsala no meio das salinas, a de Terrasini e a de Salemi, além da Messina Half Marathon em frente ao estreito. Do lado dos trilhos, o vulcão reina: o Gran Trail dell'Etna, o Sotto il Vulcano Trail e a Eroica Nicolosi Etna sobem as suas encostas negras, enquanto o Trail dei Nebrodi e o Trail dei Peloritani exploram o norte 🥾. O Pantelleria Trail e o Egadi Running Cruise levam às ilhas, enquanto o Giro di Castelbuono, uma das corridas de estrada mais antigas da Europa, disputa-se todos os 15 de agosto nas Madonie. Os triatletas apontam ao Trinacria Triathlon de Sciacca ou ao Mangia's Triathlon em Palermo 🏊.
Depois de uma corrida na Sicília, a mesa conta toda a história da ilha. A cozinha mistura a herança árabe e o mar: arancini dourados, pasta alla Norma com beringela, sarde a beccafico. Do lado doce, a Sicília reina sem rival com os seus cannoli recheados de ricotta e a sua cassata colorida, sem esquecer a granita de café que se molha numa brioche ao pequeno-almoço 🍋. O marsala, vinho fortificado do mesmo nome, e o passito de Pantelleria acompanham as sobremesas (O consumo abusivo de álcool é perigoso para a saúde, consumir com moderação). No plano desportivo, a ilha reivindica Totò Antibo, nascido perto de Palermo, duplo campeão da Europa de fundo em 1990 e durante muito tempo recordista continental dos 10 000 metros 🥇. Mas a Sicília é sobretudo um viveiro de artistas: Luigi Pirandello, Nobel nascido em Agrigento, Andrea Camilleri e o seu comissário Montalbano, filmado no barroco de Ragusa, ou ainda o pintor Renato Guttuso 🎭. Então, maratona ao pé do Etna ou trail numa ilha deserta? Compara as maratonas e os trails da região; o teu inverno ao sol está à tua espera 👟.
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