Uma faixa de terra entalada entre o Mediterrâneo e as montanhas, onde passas da areia aos trilhos em dez minutos. Aldeias coloridas, focaccia morna e trilhos que sobem a pique 🌊.
Olha para a Ligúria num mapa: um croissant fino, preso entre o mar e as montanhas, nunca com mais de algumas dezenas de quilómetros de largura. Resultado: podes dar um mergulho de manhã e estar a 1 000 metros antes do meio-dia. Génova fica no meio do croissant, antiga república marítima que rivalizava com Veneza, com o maior centro histórico medieval da Europa e ruelas tão estreitas que lhes chamam carruggi. Sanremo acolhe todos os invernos o festival da canção italiana, aquele que o país inteiro vê na televisão. Savona trabalha o seu porto entre duas praias. La Spezia comanda o golfo dos Poetas, onde Byron e Shelley vinham passear. E Imperia cheira a oliveira a quilómetros 🇮🇹.
A costa divide-se em duas e os italianos nunca se enganam: o Ponente a oeste em direção a França, o Levante a leste em direção à Toscânia. No Levante, as Cinque Terre empilham cinco aldeias coloridas sobre falésias, ligadas por trilhos talhados na rocha e por socalcos de vinhas sustentados por muros de pedra seca — fala-se de 6 000 quilómetros de muros, quase tanto como a Grande Muralha 🍇. Mesmo ao lado, o promontório de Portofino mergulha na água no meio dos pinheiros. Atrás, sobe depressa: os Alpes Lígures juntam-se aos Apeninos algures por cima de Savona, e os trilhos seguem pela crista com o mar lá em baixo. O famoso Sentiero Ligure, aliás, percorre toda a região de uma ponta à outra.
Grande diferença em relação ao resto de Itália: aqui, o inverno não para nada. As montanhas bloqueiam os ventos do norte, o mar ameniza o resto, e Sanremo apresenta médias que muitos invejam em janeiro. Isso explica por que os grandes eventos acontecem entre novembro e abril, quando noutros sítios se hiberna ❄️. No verão, em contrapartida, a costa enche-se de veraneantes e o calor torna-se pegajoso; mais vale ganhar altitude, onde o ar circula. Outra coisa a saber: ao largo, entre a Ligúria, a Córsega e a Provença, estende-se o santuário Pelagos, uma zona protegida onde baleias-de-barbas e cachalotes passam o verão. Uma corrida local até leva o nome deles.
O calendário de corridas na Ligúria aposta a sério na carta mar e montanha. O Maratona de Sanremo corre-se no início de dezembro, em grande parte na antiga linha ferroviária transformada em ciclovia ao nível das ondas. A Maratona de Portofino acontece no fim de janeiro a partir de Santa Margherita, com o golfo de Tigullio sempre ao lado. O SciaccheTrail atravessa as cinco aldeias das Cinque Terre em março, e o seu nome vem do sciacchetrà, o vinho passito produzido nesses socalcos. O Trail di Portofino dá a volta ao promontório em novembro. O Sanremo Trail & Ultra Trail sobe para o interior em fevereiro, quando a MareMontana faz jus ao nome com partida de Loano. Junta o Trail del Marchesato à volta de Savona, o Trail delle Streghe em Spotorno, o Gran Trail Rensen acima de Arenzano e o Trail 2 Aquile nos Apeninos, e tens com que te entreter 🥾. Na estrada, a Meia Maratona de Génova percorre o porto em abril, a de Savona acontece em novembro, e a RunRivieraRun segue a beira-mar desde Finale Ligure. Os triatletas têm o Challenge Sanremo e o Triatlo de Pietra Ligure, os nadadores o Swimtheisland de Spotorno, e os defensores dos cetáceos a Run for the whales 🐋.
Uma corrida na Ligúria termina diante de um prato verde, porque aqui tudo gira em torno do manjericão. O pesto genovese prepara-se no almofariz com o de Pra, um bairro de Génova onde é cultivado em estufa desde sempre, e serve-se sobre trofie ou trenette. A focaccia de Recco, por sua vez, esconde uma camada de queijo fresco entre duas massas finas — algo para pedir antes mesmo de te sentares 🫒. A farinata de grão-de-bico come-se à fatia, a escaldar. Para acompanhar, um Vermentino das colinas ou um copo de sciacchetrà (O abuso de álcool é perigoso para a saúde, consumir com moderação). Entre os corredores, a região reivindica Stefano Mei, nascido em La Spezia, campeão europeu dos 10 000 metros em 1986, hoje à frente da federação italiana de atletismo 🥇. De resto, Génova deu Cristóvão Colombo, Paganini e o seu violino impossível de acompanhar, o arquiteto Renzo Piano, e sobretudo Fabrizio De André, cujas canções sobre as ruelas do velho porto permanecem gravadas na memória do país 🎸. Então, maratona à beira da água ou trilhos em varanda por cima das Cinque Terre? Compara os trails e as meias maratonas da zona; podes até vir em pleno inverno 👟.
A plataforma de nova geração que permite a todos os corredores de qualquer nível, (re)descobrir o território francês e todo o seu património, ao encontrar as corridas que mais se lhes adequam.