Kullamannen by UTMB® 2026

Data do próximo evento confirmada
Créditos fotográficos : hotosbyPatrick

O evento em algumas palavras

Final de outubro. Já caiu a noite há algum tempo quando as portas da igreja em Höganäs se abrem para uma multidão de corredores tensos, frontais acesas 🔦, respiração a fumegar no ar frio de Scania. E então, surgindo do nada, um cavaleiro mascarado montado no seu cavalo irrompe para conduzir os corredores para fora da cidade antes de desaparecer na noite 🐴. Isto é a Kullamannen by UTMB, e aqui as coisas seguem regras ligeiramente diferentes das de outras corridas 🏃.

Ligeiramente diferentes, sim. Porque esta corrida, fundada em 2014 nas costas meridionais da Suécia, tem uma personalidade que poucos eventos no mundo podem reivindicar. Bebe de algo antigo, difícil de captar numa ficha técnica: uma atmosfera. A de uma península báltica açoitada por tempestades de outono, assombrada por uma lenda de um cavaleiro imortal, e entrelaçada com trilhos costeiros que dão para o mar em escuridão total 🌚. Não se parece com mais nada no circuito da UTMB World Series. É única 🌊.

A lenda de Kullamannen conta a história de um cavaleiro de coração partido que se retirou para a ponta da península para construir um castelo rodeado de espadas, para nunca esquecer aquela que amava 💔. Ninguém sabe realmente quem ele foi, mas em todas as versões da história ele é o imortal que está sempre do lado dos fracos contra os seus opressores ⚔️. Justo e impiedoso ao mesmo tempo. “Rude mas justo”, como dizem os suecos 🇸🇪. Essa é praticamente a definição perfeita desta corrida. E, se quiseres uma possível origem para tudo isto: uma fonte remonta ao Combate de Svolder, no ano 999, quando o rei norueguês Olav Tryggvason, cercado por uma frota muito maior, escolheu atirar-se ao mar em vez de se render. Ultras que se recusavam a desistir já eram disputadas nestas costas muito antes de existirem dorsais 🛡️;

A Península de Kullaberg, o parque de diversões central da prova, não é um cenário qualquer ⚓️. Habitada desde a Idade da Pedra, preserva círculos de pedra, túmulos e vestígios de antigas aldeias 🏘️. Debaixo dos teus ténis de trilho, milénios de história comprimidos em calcário. E, na ponta da península, o farol de Kullen, o mais potente de toda a Escandinávia, vigia o Öresund, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo 🚢. A certa altura do percurso, estás a correr com vista para centenas de navios a cruzar entre a Suécia e a Dinamarca, no escuro, enquanto um vento do norte tenta, educadamente mas com firmeza, fazer-te mudar de ideias sobre estar ali 🌬️.

Os números dos “100 Miles” merecem ser colocados claramente em cima da mesa: 173 km, 2.300 m de desnível positivo, passagem por 15 reservas naturais e dois cumes, partida de Höganäs, chegada a Båstad. O desnível pode parecer modesto, e essa é exatamente a armadilha em que todos os que vêm de corridas alpinas caem no primeiro ano 🙃. A taxa de desistências oscila entre 40 e 60%. Em comparação, a UTMB fica por volta dos 30%. O motivo resume-se a duas palavras: “outono” e “Suécia”, o que traz tempestades costeiras do sudoeste, ventos violentos e mais noite do que dia 🌝. A secção de que toda a gente fala chama-se Dödens Zon, a Zona da Morte, sem metáfora ☠️. Trilhos técnicos de uma só faixa ao longo do topo das falésias de Kullaberg, à noite, com vento a soprar do Kattegat. A Kullamannen é apelidada de “Paraíso, o mar e o inferno”, e não é apenas uma expressão. Também é uma previsão do tempo 😜. Para além dos 100 Miles, a “Sprint Ultra 100K” (108 km, 749 m D+, 3 Running Stones) é a versão para quem prefere sofrer com um pouco menos de filosofia noturna; a “Seventh Seal”, com 53 km, recebe o nome do filme de Ingmar Bergman (o realizador sueco que filmou um cavaleiro a jogar xadrez com a Morte numa praia), o que, decididamente, encaixa na perfeição com a vibe geral do evento 🎬. Por fim, a “North Shore”, com 22 km, segue a costa de Kullaberg para quem quer o cenário sem levar com o tempo diretamente na cara 😬.

O que realmente distingue a Kullamannen no calendário da UTMB é o facto de assumir por completo aquilo que é: uma corrida obscura, literal e figurativamente, enraizada no folclore nórdico. Os organizadores dizem-no eles próprios: toda a gente que aparece na linha de partida já é um herói 🦸. Porque comprometer-se com um ultra-trail na costa sueca na véspera do Halloween, sabendo que há uma hipótese de uma em duas de não terminar, exige mesmo um certo tipo de coragem.

O cavaleiro mascarado estará lá. A tempestade, não necessariamente — se tiveres sorte. Agora é contigo! 🫵

Uma distância para todos os gostos

173 km : Ultra

TrailO mais popular
  • sexta-feira, 30 de outubro de 2026
  • Ganho de elevação : 2300mD+
  • 1 loopx173 km

Hotéis perto da corrida

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