Você já teve esta conversa. Alguém pergunta que desporto você pratica, você responde "Eu corro", e então começa: "Trail? Corrida? O que é exatamente este gravel running de que toda a gente fala?" E você balbucia algo vago enquanto olha para os seus ténis. Já passámos todos por isso. Este artigo é o fim dessa conversa.
O mundo da corrida expandiu-se consideravelmente nos últimos dez anos. Entre a corrida de estrada , a corrida em trilho , o gravel running, o ultra-trail, o skyrunning, o quilómetro vertical e a corrida de montanha, é difícil orientar-se sem um pequeno guia de sobrevivência. Especialmente quando as marcas atiram palavras novas para as caixas dos ténis a cada estação. Então aqui vai: destrinçamos tudo, disciplina a disciplina, terreno a terreno. Com as regiões francesas e mundiais certas para praticar cada disciplina, porque o terreno continua a ser o principal.
Comecemos pelo básico. A corrida de estrada, ou road running, é a disciplina-mãe. Aquela em que a grande maioria dos corredores começa, e por uma razão muito simples: é acessível em todo o lado, de imediato, sem equipamento especial. Um par de ténis de corrida, um passeio, e está feito. Não é preciso GPS, polainas de trail ou um plano de abastecimento.
Os formatos oficiais reconhecidos pela World Athletics (a federação internacional) estão claramente definidos: 5 km, 10 km, a meia maratona (21,097 km), a maratona (42,195 km), 50 km, 100 km e as corridas por tempo (6 h, 12 h, 24 h). Neste terreno, os tempos são comparáveis de uma corrida para outra porque as condições são padronizadas: asfalto, perfil plano ou ligeiramente ondulado, parciais nos quilómetros-chave.
A corrida de estrada é também a base de treino para todos os corredores de trail. Mesmo os melhores corredores de montanha fazem uma boa parte do volume no plano, porque isso lhes permite trabalhar a base aeróbia, a regularidade da passada e a recuperação sem sobrecarregar as articulações. A corrida de estrada é o alicerce. Não é o cume 🏙️.
Onde correr em estrada em França e no mundo? As grandes maratonas urbanas são os encontros incontornáveis: Paris, Berlim, Nova Iorque, Tóquio, Sydney, Londres, Chicago, Boston 🏙️. Milhares de corredores, tempos certificados, uma atmosfera festiva de público. Isto é a corrida de estrada no seu melhor ✨.

(Run4FFWPU)
Agora mudamos de mundo. O trail running, ou simplesmente trail , é uma disciplina de corrida que se pratica num ambiente natural, em trilhos, caminhos e terreno variado. A ITRA (International Trail Running Association), fundada em 2013 e reconhecida pela World Athletics desde 2015, dá a definição oficial: um percurso de corrida aberto a todos, em ambiente natural, com um máximo de 20% do percurso em estradas pavimentadas.
A grande diferença face à corrida de estrada é o terreno. No trail, corre-se em terra, rocha, lama, neve, raízes, erva molhada e, por vezes, ao longo de crestas onde é melhor não olhar demasiado tempo para o lado. As subidas são íngremes, as descidas são técnicas, e os seus tornozelos têm opiniões muito fortes sobre tudo isso 🏔️.
Para medir a dificuldade real de um trail, a ITRA usa o conceito de quilómetro-esforço (km-esforço): soma-se a distância em quilómetros ao desnível positivo dividido por 100. Um trail de 40 km com 2.000 m de D+ representa, portanto, 60 km-esforço, muito mais exigente do que 40 km planos. Esta fórmula é o que permite classificar as corridas em sete categorias, de XXS (menos de 24 km-esforço, perfeito para começar) a XXL (mais de 210 km-esforço, para quem desistiu do sono e da cartilagem). Pelo meio, XS, S, M, L e XL cobrem todos os perfis de corredor.
O trail também é uma filosofia. A ITRA destaca quatro valores fundamentais: ética, justiça, solidariedade e preservação ambiental. Basicamente: não deixe lixo no trilho, ajude um corredor em dificuldades mesmo que lhe custe alguns minutos, e respeite a montanha. Não é apenas um desporto; é uma forma de estar ao ar livre ♻️.
As principais regiões de trail em França: Os Alpes (com a UTMB em Chamonix), os Pirenéus (o Euskal Trail, o Grand Raid des Pyrénées), o Maciço Central (a SaintéLyon, o Festival des Templiers nas Gorges du Tarn), os Vosges, o Jura, a Bretanha com os seus espetaculares trilhos costeiros, e a Provença com os seus relevos calcários e aromas de garrigue. Cada região tem o seu carácter, o seu terreno, a sua vibe.
E no resto do mundo? As Dolomitas em Itália (Lavaredo Ultra Trail, Tor X), a Patagónia chilena (Patagonian International Marathon), as Terras Altas escocesas, as montanhas do Atlas em Marrocos (Marathon des Sables), a Nova Zelândia (Tarawera Ultra), a África do Sul (Ultra-Trail Cape Town na Table Mountain)... O trail running globalizou-se a um ritmo impressionante. Hoje, há corridas em mais de 100 países 🌍.

(Cristian Camilo Estrada)
E agora chegamos ao tema de que toda a gente fala. O gravel running é a disciplina mais recente do trio, e vem diretamente do mundo do ciclismo. A bicicleta gravel , esta bicicleta híbrida pensada para alternar entre estradas pavimentadas e caminhos de terra, abriu caminho para uma filosofia de liberdade e versatilidade. Os corredores acompanharam o movimento. O termo "gravel" vem do inglês e significa literalmente "cascalho", e isso resume bastante bem o espírito. Concretamente, o gravel running pratica-se em terreno não pavimentado, mas corrível: pistas florestais, caminhos rurais, ecovias, caminhos de cascalho... A palavra-chave é “corrível”. Sem rocha técnica, sem desnível brutal, sem raízes à sua espera para o tropeçarem assim que você desvia o olhar ❌. Sai-se do asfalto, mas sem entrar no terreno comprometido do trail. É o melhor dos dois mundos combinado numa única saída 😁.
O que diferencia o gravel running do trail é, acima de tudo, o nível de compromisso técnico. No trail, o terreno pode ser pedregoso, íngreme, com secções que exigem atenção e uma técnica sólida em descida. No gravel running, as superfícies são menos técnicas, as inclinações são moderadas, a passada mantém-se fluida e o ritmo estável. Não é preciso ser um técnico para começar. Aliás, esse é um dos grandes atrativos da disciplina: é acessível aos corredores de estrada que querem descobrir a natureza sem mergulhar de cabeça no trail.
Onde fazer gravel running em França e no mundo? A grande vantagem do gravel running é que não exige ir para longe de casa. Em França: as ecovias da Borgonha (a ciclovia do Canal da Borgonha, por exemplo), os caminhos pedestres do Gers e da Gasconha, as pistas florestais das Landes, as margens do Loire, os caminhos de vinha à volta de Bordéus, da Champanhe, ou do Luberon, ciclovias convertidas em percursos de corrida nas Ardenas ou na Flandres Francesa. Internacionalmente: as grandes estradas brancas da Toscana (um cenário ideal para um trilho de vinha), as pistas do Alentejo em Portugal, as estradas de terra da Nova Inglaterra nos Estados Unidos. Em qualquer lugar onde haja um caminho de terra e alguma curiosidade 🌾.

O mundo da corrida fora de estrada não se fica por estas três disciplinas. Há outras práticas que vale a pena conhecer.
O skyrunning acontece acima dos 2.000 metros de altitude, em terreno de alta montanha muito técnico. As provas de quilómetro vertical envolvem 1.000 metros de desnível positivo numa distância máxima de 4 km. É vertical, brutal e espetacular 🤪.
A corrida de montanha é uma disciplina federada supervisionada pela FFA (Federação Francesa de Atletismo). Exige um mínimo de 500 metros de desnível positivo e é feita sem mochila de hidratação, em formatos mais curtos do que o trail. Tem os seus próprios campeonatos europeus e mundiais.
O ultra-trail é simplesmente trail que vai além da distância de maratona (42,195 km). A partir daí, entra-se noutra dimensão: gestão do sono, estratégia de nutrição ao longo de dezenas de horas, apoio de equipa (assistência). Eventos de referência como a UTMB (170 km à volta do Mont Blanc), a Diagonale des Fous (170 km na Ilha da Reunião), o Tor X (330 km no Vale de Aosta), ou a Hardrock 100 (161 km nos Estados Unidos) representam a elite da disciplina ultra 🌋.

(Zout Fotografie)
A resposta honesta: depende de quem você é, do que procura e de onde vive. Se vive na cidade e quer correr regularmente com o mínimo de logística, a corrida de estrada continua a ser a mais eficiente e prática. Se você se sente atraído pela natureza, pelos grandes espaços e pelos desafios físicos intensos, o trail running é a sua disciplina. Comece com um formato curto (XS ou XXS de acordo com a classificação da ITRA) antes de apontar aos grandes formatos. E se está algures no meio, farto do asfalto mas sem querer mudar completamente o equipamento e o seu mundo, o gravel running foi feito para si 🫵. É a porta de entrada ideal para a natureza, sem a escadaria técnica do trail 🚪.
A melhor opção? Experimente os três. Muitos corredores fazem estrada durante a semana para treinar, gravel ao fim de semana para escapar, e trail em competição pelo desafio. As disciplinas complementam-se, alimentam-se e fazem de si um corredor completo e versátil 💪.
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