Há uma opção de dorsal que vem com a consciência tranquila como bónus 🌱. Aqui, nada de copos de plástico a sujar o asfalto depois da passagem dos corredores, nem excesso de embalagens inúteis para a medalha de finisher: apenas uma organização que decidiu correr o mais depressa possível rumo a um impacto ambiental tão baixo quanto possível.
Uma corrida comprometida com o planeta nunca é apenas um slogan de marketing colado num cartaz. Copos reutilizáveis ou com caução/devolução, postos de abastecimento a granel em vez de porções individuais, reciclagem generalizada na linha de chegada: cada detalhe logístico é redesenhado para reduzir a pegada do evento, sem nunca comprometer a experiência do corredor. As sensações desportivas mudam pouco, mas a mentalidade transforma-se por completo. Já não corres apenas pelo teu tempo ⏱️: participas, à tua maneira, num movimento mais amplo. Esta dimensão coletiva sente-se na atmosfera das aldeias de partida/chegada, muitas vezes animadas por stands de sensibilização, workshops zero resíduos ou parcerias com associações locais para a proteção da natureza.
As condições e especificidades destes eventos prendem-se sobretudo com a organização logística. Shuttles partilhados ou boleias incentivadas para limitar as emissões associadas às deslocações, compensação de carbono por vezes oferecida na inscrição, produtos locais e sazonais nos postos de abastecimento em vez de importações vindas de longe: a corrida em si não muda de terreno, mas tudo à sua volta é repensado.
Em França 🇫🇷, a Salomon EcoTrail Paris é vista como pioneira do género, com um percurso que atravessa as florestas da região da Île-de-France até à capital, aplicando ao mesmo tempo uma carta ambiental rigorosa desde a sua criação. Em Genebra, mesmo junto à fronteira, o EcoTrail Genève aplica os mesmos princípios nas alturas suíças, complementado, do lado da estrada, pela Course du Mandement, em Satigny, no coração do vinhedo genebrino.
Na Escandinávia, o compromisso ecológico é quase parte da cultura local de corrida. O EcoTrail d'Oslo, na Noruega 🇳🇴, percorre as florestas que rodeiam a capital, enquanto o Stockholm Ecotrail, na Suécia 🇸🇪, segue arquipélagos e matas num país há muito habituado à separação e reciclagem sistemáticas ♻️. Nos Países Baixos 🇳🇱, a Earth Race de Amesterdão leva o conceito até ao nome, com uma maratona e várias distâncias mais curtas pensadas em torno da frugalidade ambiental.
Mais a sul, a Espanha também multiplica iniciativas 🇪🇸: o EcoTrail Valencia propõe várias distâncias no coração da natureza mediterrânica, enquanto Madrid acolhe, por si só, dois eventos comprometidos, a V Carrera Solidaria por la Biodiversidad e A Corrida pelo Ambiente (EcoRun). Em Portugal 🇵🇹, o Ecotrail Funchal-Madeira Island faz os participantes correrem na ilha vulcânica da Madeira, enquanto na Letónia 🇱🇻, a Riga Marathon e, na Bélgica 🇧🇪, a Qbuild Arlon Marathon completam esta volta pela Europa comprometida.
Rumo à Ásia, onde o Japão desenvolveu toda uma rede de corridas chamada “Ecomarathon” 🇯🇵. Só seguindo o calendário, encontras edições em Tondabayashi, Kanazawa, Saiko, Kamogawa, Yodogawa, Hirakata e Horikiri, realizadas ao longo do ano em diferentes prefeituras por todo o país — prova de que a frugalidade dos eventos também pode ser implementada em grande escala.
No Norte de África, Marrocos 🇲🇦 oferece uma boa densidade de corridas verdes, especialmente em torno das montanhas do Atlas: o Sonasid High Atlas Ultra Trail, em Ouirgane, o Trail Amizmiz-Marrakech, o Trail Chefchaouen Talassemtane no norte do país, o Trail Lac Lalla Takerkoust e o Tamuda Bay Eco Triathlon, em Martil, que estende o conceito ao triatlo. No Oceano Índico, a Ilha Rodrigues, uma dependência das Maurícias, acolhe o Trail de Rodrigue, que sensibiliza os participantes para a fragilidade dos ecossistemas insulares por onde passam.
Nos Estados Unidos, por fim, vários eventos mantêm os mesmos padrões ambientais: o Owyhee County 50/50 Night Run, em Idaho, o Trail of the Dragon, em Iowa, o Boise Front Trail Run, também em Idaho, assim como o Buffalo Marathon Weekend, no Estado de Nova Iorque, e o Run for the Hills, em Oregon.
O que se destaca, ao alinhar estes exemplos de um continente para outro, é a diversidade de formatos envolvidos: trail, maratona, triatlo, corrida de estrada ou até duatlo podem adotar esta mesma carta de frugalidade. Depois do esforço, a recompensa assume muitas vezes uma forma local e responsável 🥕: produtos locais de circuito curto, bancas de organizações sem fins lucrativos em vez de patrocinadores tradicionais, garrafas reutilizáveis oferecidas em vez das habituais lembranças de plástico. Uma forma de prolongar o compromisso muito depois de cruzada a linha de chegada 🏁.
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